
James Warren "Jim" Jones foi o fundador e líder da seita Templo dos Povos, famoso devido ao suicídio/assassinato em massa em novembro de 1978 de 918 dos seus membros em "Jonestown", Guiana, além do assassinato do Deputado Americano Leo Ryan.
Seita (latim secta = "secionar", "dividir", "sectar") de forma geral é um conceito complexo utilizado para grupos que professam doutrina, ideologia, sistema filosófico, religioso ou político divergentes da correspondente doutrina ou sistema dominantes.
O termo “seita” é usado amplamente e é aplicado a grupos que seguem um líder vivo que promove doutrinas e práticas novas e não-ortodoxas. Segundo Peter L. Berger, seita seria a organização de um grupo contra um meio que consideram hostil ou descrente.
O grupo então se fecha em um corpo de doutrinas e vê o restante da sociedade como inerentemente má ou pecadora, passível da ira divina, que inevitavelmente sobrevirá sobre eles. As seitas de orientação cristã usam as noções de pecado e santificação como forma de dar legitimidade discursiva aos neófitos e manter os que já são seguidores.
A saída do grupo pode acarretar diversos efeitos psicossociais em decorrência do sentimento de solidão, de autoculpabilização e da hostilidade advinda do grupo que se está deixando. Sair de uma seita nunca é fácil porque ela exerce controle sobre toda a vida individual e coletiva dos indivíduos. As seitas, assim como as religiões instituídas, são agências reguladoras do pensamento e da ação, mas com a diferença de que na seita a regulação tende a ser mais totalizante, devido ao rígido controle que exercem sobre os sujeitos.
Seita – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)
Geralmente, descrevemos as seitas como um grupo fechado, aparentemente estranho para aqueles que não as pertencem, mas estranhamente irresistível para as pessoas que acreditam nesses grupos, tanto que quando conseguem sair são inevitáveis as consequências terríveis, desde o vazio psicológico, ao abandono por entes queridos, a perseguição, entre outros... Uma seita pode ser qualquer grupo, uma empresa, e principalmente uma religião, digo principalmente pelo motivo da religião ser algo que deveria unir as pessoas ao sagrado, ao transcendental, pois essa é uma das necessidades do ser humano, essa necessidade de significados transcendentais está presente em toda história da humanidade, quando os primeiros humanos deixaram esses vestígios que atualmente estudamos na arqueologia. Como em Göbekli Tepe (Atual Turquia), um dos sítios arqueológicos mais antigos do mundo, localizado aproximadamente a 40 Km de Harã, e 1000 Km de Ur, vemos que todas as culturas em todos os períodos da história humana apresentaram um ideal transcendental.
Rituais aconteceram há mais de 11.000 anos em Göbekli Tepe, na Turquia — um dos templos mais antigos do mundo. Nature.
No detalhe, símbolos encontrados em Gobekli foram vistos em aborígenes australianos. Curiosa similaridade das esculturas em diversos locais do mundo.
Vamos escavar...
Por mais que possamos saber sobre as seitas, todos estamos sujeitos a cair em suas armadilhas, pois elas se alimentam de necessidades reais e básicas do ser humano, tornando-o um escravo, assim ela alcança seus reais objetivos, geralmente um Plano de Poder .
Nos anos 60 e 70, uma seita se destacou nos Estados Unidos devido a sua trágica ligação com o suicídio em massa ocorrido na Guiana em 1978. Hoje é teoricamente fácil julgar que se tratava de uma seita, pois tal como no nazismo, sabemos quase tudo o que realmente aconteceu, mas então porque naquela época tantas pessoas aderiram ao movimento, porque as autoridades demoraram tanto para agir? atualmente existem diversos documentários sobre esse assunto, entretanto ainda não foi analisado de uma forma abrangente algumas questões que vamos destacar a seguir:
1 - Necessidades reais de seres humanos são manipuladas (O Falso Profeta):
A necessidade da transcendência religiosa, é manipulada, as pessoas geralmente vão com sinceridade em busca de respostas espirituais, muitas vezes acabam sendo enganadas, neste vídeo por exemplo, o líder da seita Jin Jones demonstra possuir poderes espirituais, atraindo a confiança dos adeptos por se apresentar como um homem de Deus.
Jim Jones Preaching at the People's Temple 1972 - YouTube
Necessidades afetivas dos seres humanos, como a necessidade de pertencimento a um grupo, de amar e ser amado, inclusive a sexualidade e questões de sobrevivência como alimentação, beber água e dormir, são inicialmente apresentadas como algo de bom entre os adeptos, depois vão sendo implantadas as mesmas estratégias de medo, vergonha e culpa com o objetivo de manipular as massas.
Observe que naquela época existia uma segregação racial muito grande nos Estados Unidos, logo a seita se aproveitou de um sentimento legítimo das pessoas de integração racial e luta contra o racismo para forjar uma união multirracial que servia para atrair novos adeptos, até mesmo as questões do medo da guerra, por causa das tensões da guerra fria entre capitalismo e socialismo foi amplamente utilizado, inclusive no que diz respeito as crianças abandonadas e ao tratamento dos animais, pois além de adotar crianças de diversas etnias, o líder da seita adotou animais que alegadamente sofriam maus tratos, entre eles um chimpanzé.


Jim Jones com sua família multirracial e o chimpanzé "salvo",
2 - O Plano de Poder ( O Anticristo).
Característico de toda seita, emerge sua real intenção; O Plano de Poder.
No caso de Jim Jones, assim como nos tempos do Imperador Romano Constantino, havia um elo com os poderes políticos, midiáticos e paramilitares, por causa da sua popularidade, Jim Jones adquiriu notoriedade e apoio político e da mídia em Indianápolis, o prefeito democrata Charles Boswell, o nomeou como diretor local da comissão de direitos humanos, ele ganhou popularidade suficiente para que circulasse entre os poderosos, a primeira-dama Rosalynn Carter, por exemplo, encontrou-se várias vezes com ele.
Como todo marketing totalitário, ele tinha seu próprio método Goebbels de operar:
A propaganda era utilizada para além de transmitir os ideais da seita, servia para reescrever a história aos moldes do líder. É muito comum as seitas utilizarem dos meios de comunicação para se estabelecerem.
Na foto abaixo, algumas das propagandas difundidas:
Aos poucos, ele foi montando seu próprio exército, um grupo paramilitar que agia totalmente ás suas ordens, desde matar opositores ou reprimir ideias contrárias.

Propaganda difundida pela igreja de Jim Jones.

O grupo paramilitar de Jim Jones assassinou a comitiva que foi visitar sua cidade criada na Guiana.
No caso de Jim Jones, hoje é fácil analisar que se tratava de uma seita, mas será que aquelas pessoas inocentes que acabaram sendo mortas no que ficou conhecida como a maior tragédia da história dos Estados Unidos até o 11 de Setembro, tiveram capacidade para discernir que estavam sendo enganadas? Quantas não são as seitas nos dias de hoje que usam dos mesmos artifícios?
Como descrito em apocalipse; sempre haverão duas bestas emergindo: O Falso profeta e o Anticristo.
Jesus não se envolveu em política, não reescreveu sua história, ensinou a amar ao próximo e a perdoar, sua igreja era a união das pessoas em prol dos frutos de Deus, nunca precisou nem levantou nenhum templo, foi assim até os dias de Constantino, e a história se repete até os dias de hoje...
Julho, 2021
Quase mil pessoas morreram na mistura de suicídio e assassinato em "Jonestown", cidade criada por Jim Jones na Guiana.


